O aumento da presença de animais de estimação nos lares brasileiros trouxe um novo cenário: mais pets chegando à terceira idade.
Parte dessa mudança está ligada aos avanços em nutrição, medicina veterinária e cuidados preventivos, com isso, cães e gatos passaram a ter mais longevidade de vida.
Mas como é, na prática, cuidar de um pet idoso?
- Quais hábitos mudam?
- Os gastos aumentam?
- Os responsáveis se sentem preparados emocionalmente?
Para responder a essas perguntas, a Cobasi, por meio de seu pilar social Cobasi Cuida, realizou uma pesquisa com 527 responsáveis por pets idosos. Desse total, 433 eram responsáveis por cães idosos e 94 por gatos idosos.
O estudo analisou aspectos como saúde, alimentação, comportamento, impacto financeiro e preparo emocional. A seguir, você confere os principais resultados da pesquisa.
Quem participou da Pesquisa Cobasi sobre pets idosos?
A amostra está concentrada na região Sudeste. Entre as principais cidades estão:
Tutores de cães
Tutores de gatos
Como o número de participantes responsáveis por cães foi maior, os dados são mais representativos na pesquisa. Ainda assim, as respostas de tutores de gatos também ajudam a entender como o envelhecimento dos pets acontece nos grandes centros urbanos.
Perfil dos animais
No recorte da pesquisa:
- 41% dos cães idosos têm entre 10 e 12 anos;
- Outros 31% entre 7 e 9 anos e 27% com 13 anos ou mais.
Em relação ao porte, predominam os cães de pequeno porte (52%), seguidos pelos de porte médio (29%), porte grande (12%) e porte mini (7%).
Entre os gatos, a concentração é ainda mais evidente:
- 86% têm entre 10 e 15 anos,
- Enquanto 14% já ultrapassaram os 16 anos.
Vale destacar que cães e gatos não envelhecem da mesma forma, e, no caso dos cães, o porte influencia diretamente o momento em que a fase sênior começa.
Para entender melhor quando o pet é considerado idoso de acordo com o porte, confira este conteúdo exclusivo do Blog da Cobasi.
Saúde do pet idoso: doenças crônicas e acompanhamento constante
Se existe um aspecto em que o envelhecimento dos pets se torna mais evidente, é na saúde. Dados da pesquisa mostram que uma parcela significativa de cães e gatos idosos já convive com alguma condição crônica.
Esse cenário muda a forma de cuidar. O acompanhamento deixa de ser pontual e passa a ser contínuo, com a necessidade de exames regulares, ajustes na rotina e, em muitos casos, uso de medicação por tempo prolongado.
A seguir, você confere um recorte da pesquisa que revela como está a saúde dos pets na terceira idade.
Saúde do pet idoso: doenças crônicas entre cães

41% dos pets possuem doenças crônicas, sendo 36% com a condição controlada e 5% ainda sem controle. Já 59% não apresentam doenças crônicas
As condições mais citadas pelos cuidadores legais incluem:
- Artrite e Artrose – 19%
- Problemas cardíacos – 17%
- Neoplasias – 9%
- Problemas Oculares – 8%
- Problemas dentários – 6%
- Doença Inflamatória Intestinal – 5%
- Hipotiroidismo/Hipertiroidismo – 5%
- Doença Renal Crônica – 5%
Saúde do pet idoso: doenças crônicas entre gatos

66% não possuem doenças crônicas e 34% possuem, dessas, 3% ainda não controladas. Sobre as doenças em si, os entrevistados apontaram:
- Doença Renal Crônica – 44%
- Doença Inflamatória Intestinal – 19%
- Artrite e Artrose – 9%
- Hipotiroidismo/Hipertiroidismo – 5%
- Diabete – 5%
Apesar de incidências diferentes entre as espécies, algumas doenças aparecem em ambos os cenários, como a artrite, alterações hormonais e distúrbios intestinais, indicando que o envelhecimento compartilha padrões fisiológicos comuns entre cães e gatos.
Saúde do pet idoso: sintomas e a importância dos exames preventivos
Em ambas as espécies, 63% dos diagnósticos ocorreram após o surgimento de sintomas. No entanto, mais de 30% das doenças foram identificadas por meio de exames preventivos.
Esse dado é relevante, porque muitas condições crônicas evoluem de forma silenciosa, especialmente em gatos. A descoberta precoce por meio de check-ups regulares permite iniciar tratamento antes do agravamento, aumentando a qualidade e expectativa de vida.
O que a pesquisa evidencia é claro: na terceira idade do pet, a prevenção deixa de ser opcional e passa a ser parte essencial do cuidado.
Saúde do pet idoso: medicação contínua e suplementação na senioridade pet
A pesquisa também evidencia que a medicação contínua e a suplementação já fazem parte da rotina de uma parcela relevante dos pets idosos, refletindo a necessidade de controle de doenças crônicas e suporte preventivo.
Entre os cães, o principal foco está na saúde ósseo-articular (30%), o que acompanha a alta incidência de artrite e artrose.
Também aparecem medicamentos voltados ao coração (13%), além de suplementações para pele e pelo (11%), fígado (8%) e visão (7%).
Já entre os gatos, a medicação está fortemente associada à função renal (22%), em linha com a predominância da doença renal crônica na espécie.
Também há uso de suporte ósseo-articular (11%), para sistema nervoso (8%), além de controle de diabetes (5%), colesterol/triglicerídeos (5%) e pâncreas (5%).
Vale reforçar que qualquer medicação ou suplementação deve ser administrada somente com prescrição e acompanhamento veterinário.
Medicamentos utilizados de forma inadequada, em dosagens incorretas ou sem diagnóstico preciso, podem mascarar sintomas, agravar quadros clínicos e até causar efeitos adversos graves.
Saúde do pet idoso: frequência de consultas e exames na terceira idade
O envelhecimento exige acompanhamento mais próximo, e os dados mostram que a maioria dos responsáveis legais mantém algum nível de regularidade nas consultas.
Cães: acompanhamento consistente
Entre os cães idosos, a frequência de consultas se distribui da seguinte forma:
- 2 vezes ao ano – 28%
- 1 vez ao ano – 23%
- A cada três meses – 23%
- Apenas quando necessário – 26%
- Mensalmente – 9%
- Não vai ao veterinário – 0%
O dado mais relevante é que nenhum responsável legal declarou ausência total de acompanhamento veterinário.
Nos últimos 12 meses, os exames realizados foram:
- Exame de sangue – 29%
- Ultrassom – 19%
- Urina – 12%
- Raio-X – 12%
- Exames cardíacos – 12%
- Fezes – 6%
- Tomografia – 3%
- Ressonância – 2%
O destaque para exames de sangue e imagem reforça a busca por monitoramento preventivo e investigação de doenças crônicas.
Gatos: predominância de acompanhamento anual
Entre os gatos idosos, o padrão é semelhante, mas com maior concentração em consultas anuais:
- 1 vez ao ano – 37%
- 2 vezes ao ano – 22%
- A cada três meses – 9%
- Apenas quando necessário – 27%
- Não passam por consulta – 4%
- Mensalmente – 1%
Quanto aos exames realizados nos últimos 12 meses:
- Exame de sangue – 29%
- Ultrassom – 25%
- Urina – 16%
- Raio-X – 6%
- Exames cardíacos – 5%
- Tomografia – 1%
- Ressonância – 0%
A combinação de sangue, ultrassom e urina é especialmente relevante para gatos idosos, considerando a alta incidência de doenças renais na espécie.
Alimentação na terceira idade: adaptação nutricional e novas necessidades
A alimentação se torna ainda mais estratégica na terceira idade. A própria pesquisa mostra que muitos tutores revisam a dieta dos pets conforme eles envelhecem — um movimento essencial para acompanhar as novas necessidades do organismo.
Esse cuidado tem base científica. A dissertação “Nutrição de Cães e Gatos Idosos”, desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta que o envelhecimento provoca mudanças no metabolismo, na digestão e na absorção de nutrientes.
Como consequência, a dieta precisa ser ajustada de forma individualizada para preservar a saúde e a qualidade de vida ao longo do tempo (UFRGS, 2021).
Alimentação na terceira idade: mudança alimentar
Na pesquisa da Cobasi, 55% dos responsáveis por cães idosos afirmaram que precisaram mudar a alimentação do pet por conta da idade.
A principal motivação para essa mudança foi a recomendação de um médico-veterinário (46%). Também se destacam alterações no paladar e no apetite (40%), necessidade de controle de peso (18%) e dificuldade para mastigar (10%).
Entre os gatos, o movimento é semelhante: 59% dos tutores disseram ter alterado a alimentação devido ao avanço da idade. Assim como nos cães, a principal razão foi a recomendação profissional (51%).
Outros fatores mencionados foram a presença de alguma doença (22%) e mudanças no apetite (22%).
Alimentação na terceira idade: busca por ração específica

Há um movimento claro de busca por ração específica para pets idosos. No caso dos gatos, 56% dos responsáveis afirmaram que houve um aumento da alimentação úmida após o pet ficar idoso.
Em relação ao tipo de alimentação, 53% afirmam que a principal alimentação é mista (úmida e seca), também conhecida como Mix Feeding, 45% somente com ração seca e os outros 2% somente com ração úmida.
Para os cães, 61% dos responsáveis afirmam que a principal alimentação é com ração seca, seguida de 30% com alimentação mista (seca e úmida), 5% com alimentação natural e os outros 4% apenas ração úmida
O que esses dados evidenciam é que a alimentação na senioridade deixa de ser apenas questão de saciar fome e se torna um componente estratégico do cuidado:
- ajuda a controlar doenças
- preservar massa corporal
- apoiar funções orgânicas
- promover bem-estar geral
Exatamente o que a pesquisa da UFRGS e outras referências científicas também apontam como essencial para longevidade com qualidade.
Comportamento: o que muda na rotina de cães e gatos idosos
As mudanças comportamentais são, muitas vezes, o primeiro alerta do envelhecimento. Elas impactam a dinâmica da casa, aumentam a dependência do responsável legal e exigem adaptações na rotina.
Mais do que um processo biológico, a terceira idade é também uma mudança na relação entre tutor e animal : o vínculo se intensifica à medida que o cuidado se torna mais presente e atento.
🐶 Cães: menos energia e mais ajustes no ambiente
Entre os cães idosos, as alterações mais percebidas foram:
- Menos energia – 20%
- Mudança no padrão de sono – 13%
- Dificuldade de locomoção – 12%
- Maior dependência do tutor – 11%
- Alteração de visão – 10%
- Ansiedade/medo – 9%
- Alteração de audição 8%
- Alteração de apetite – 6%
- Confusão/desorientação – 4%
- Alteração urina/fezes – 3%
- Isolamento – 2%
- Agressividade – 1%
Com a mobilidade reduzida, muitas famílias fizeram adaptações na casa:
- Potes elevados – 24%
- Rampas ou escadinhas – 22%
- Organização do ambiente – 21%
- Tapetes antiderrapantes – 17%
- Limitação de acesso a escadas – 14%
A maioria, (69%), citou que o tipo de brinquedo do cão não mudou, os mais citados foram:
- Pelúcias – 32%
- Bolinhas – 21%
- Brinquedos de borracha – 14%
- Mordedores duros – 13%
- Mordedores moles – 9%
- Corda – 9%
No entanto, o tema acende um alerta: os brinquedos devem ser escolhidos de acordo com a fase de vida e a personalidade do animal, garantindo estímulos adequados e seguros.
Por exemplo, a preferência por brinquedos mais macios pode estar relacionada à sensibilidade dentária e à diminuição da força de mordida, algo comum em pets idosos.
Esse ponto também foi abordado em outra pesquisa da Cobasi, que analisou os brinquedos mais procurados para cães e provocou a reflexão sobre se eles realmente atendem às necessidades dos animais.
Saiba mais no estudo completo sobre os brinquedos mais procurados por cães em 2025.
Gatos: mudanças sutis e adaptações estratégicas
Nos gatos, as alterações comportamentais também aparecem com força:
- Menos energia – 24%
- Maior dependência do tutor – 11%
- Dificuldade de locomoção – 9%
- Mudança no padrão de sono – 9%
- Alteração de apetite – 9%
- Ansiedade/medo – 6%
- Alteração Urina/Fezes – 6%
- Alteração de visão – 3%
- Alteração de audição – 3%
- Confusão/desorientação – 2%
- Isolamento – 2%
- Agressividade – 1%
A adaptação do ambiente é ainda mais marcante entre os felinos:
- Caixa de areia com borda mais baixa – 43%
- Limitação de acesso a locais altos – 30%
Essas mudanças indicam preocupação com mobilidade, conforto e prevenção de acidentes, especialmente em gatos que já apresentam dificuldade para saltar ou acessar áreas elevadas.
Impacto financeiro na rotina dos responsáveis

O envelhecimento do pet traz mudanças que vão além da rotina, e também impacta diretamente o orçamento dos responsáveis legais do animal.
A pesquisa mostra que tanto os gastos com alimentação quanto os custos veterinários tendem a aumentar na terceira idade, exigindo planejamento e adaptação.
Alimentação: aumento moderado, mas constante
Entre os cães idosos:
- 17% afirmam que o gasto aumentou muito
- 35% que aumentou um pouco
- 47% que permaneceu igual
- 1% que diminuiu
Ou seja, 52% perceberam algum aumento.
Entre os gatos idosos:
- 26% relatam que aumentou muito
- 30% que aumentou um pouco
- 45% que permaneceu igual
- 0% indicaram diminuição
Nesse caso, 56% registraram aumento nos custos com alimentação.
Gastos veterinários nos últimos 12 meses
Quando o assunto é saúde, o impacto financeiro também aparece.
Entre os tutores de cães:
- 27% disseram que os gastos aumentaram muito
- 35% que aumentaram um pouco
- 37% que permaneceram iguais
- 1% que diminuíram
Ou seja, 62% perceberam aumento nas despesas veterinárias.
Entre os tutores de gatos:
- 31% afirmam que os gastos aumentaram muito
- 32% que aumentaram um pouco
- 36% que permaneceram iguais
- 1% que diminuíram
Aqui, 63% registraram aumento.
Já deixou de comprar algo por causa do custo?
Mesmo com alto nível de cuidado, o limite financeiro existe.
Entre os tutores de cães:
- 35% já deixaram de comprar algum item por causa do custo
- 65% não deixaram
Entre os tutores de gatos:
- 39% já deixaram de comprar
- 61% não deixaram
O dado reforça que, mesmo em um público engajado, há sensibilidade ao preço.
Como lidam com o aumento de custos
Para administrar as despesas, os tutores adotam diferentes estratégias.
Cães
- Parcelamento – 36%
- Reserva financeira – 17%
- Plano de saúde – 16%
- Pesquisa de preço – 14%
- Não têm estratégia – 17%
Gatos
- Parcelamento – 34%
- Reserva financeira – 25%
- Pesquisa de preço – 14%
- Plano de saúde – 13%
- Não têm estratégia – 13%
Onde compram?
A pesquisa também indica que o tutor de pet idoso compra majoritariamente em pet shops especializados, buscando produtos específicos para essa fase da vida.
Desafios no cuidado e preparo emocional: quando o envelhecimento também impacta o tutor

Além dos desafios práticos e financeiros, o envelhecimento do pet também mobiliza o lado emocional dos familiares.
Quando o assunto é dificuldade no cuidado com a saúde, emoção e ansiedade aparecem como desafios relevantes:
- 14% dos tutores de cães apontam esse aspecto como desafio.
- Entre os tutores de gatos, 6% mencionam a questão emocional.
O preparo para lidar com o envelhecimento também revela insegurança.
Entre os responsáveis por cães, apenas 25% se sentem totalmente preparados, enquanto 48% dizem estar parcialmente preparados e 27% não se sentem preparados.
Já entre os tutores de gatos, 29% afirmam estar preparados, 54% parcialmente preparados e 17% não se sentem preparados.
Os dados indicam que, embora o cuidado esteja presente, a maioria vive essa fase com sentimento de preparo incompleto, mostrando que o envelhecimento pet exige não apenas atenção clínica, mas também equilíbrio emocional.
Conclusão: envelhecer com um pet exige planejamento, cuidado e suporte
A pesquisa mostra que o envelhecimento dos pets está redesenhando a rotina dos lares brasileiros, e exigindo uma postura cada vez mais ativa dos tutores.
De forma clara, o cenário aponta que:
O cuidado se profissionalizou
O tutor de pet idoso atua de forma preventiva, acompanha diagnósticos de perto e incorpora medicação e suplementação à rotina, numa lógica semelhante ao cuidado geriátrico humano.
A alimentação se tornou estratégica
A dieta passa a ser guiada por orientação veterinária e condições clínicas, com maior busca por produtos específicos para a terceira idade.
O consumo é mais técnico — e mais sensível ao preço
Embora priorize pet shops especializados, o tutor administra custos com planejamento, parcelamento e pesquisa de preços. Ainda assim, há limite financeiro mesmo entre os mais engajados.
A casa se adapta ao envelhecimento
O ambiente doméstico passa por ajustes práticos para garantir conforto, segurança e mobilidade.
O desafio também é emocional
O envelhecimento do pet mobiliza ansiedade, insegurança e sensação de preparo incompleto, mostrando que essa fase exige não apenas cuidado clínico, mas equilíbrio emocional.
Em resumo, ter um pet idoso hoje significa:
✔️ Mais prevenção
✔️ Mais acompanhamento
✔️ Mais adaptação
✔️ Mais planejamento
E, ao mesmo tempo, mais responsabilidade financeira e emocional. O envelhecimento pet não é apenas uma fase da vida do animal. É também uma transformação na dinâmica da casa e na jornada do tutor.
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