A FeLV em gatos, também conhecida como leucemia viral felina, é uma afecção grave, altamente contagiosa e extremamente perigosa para o seu melhor amigo.
Associada a um tipo de retrovírus, assim como a FIV, a FeLV é uma das principais causas de doenças infecciosas em felinos. (HARTMANN & HOFMANN-LEHMANN, 2020)
E, apesar de muita gente achar que essas enfermidades são praticamente as mesmas, é bom lembrar que FIV e FeLV são afecções diferentes.
A princípio, gatos portadores do vírus da leucemia felina podem ser assintomáticos, mas com o tempo, sintomas clássicos, como tumores e neoplasias, começam a aparecer.
Nos últimos anos, campanhas de vacinação ajudaram a reduzir a prevalência da FeLV em alguns países — mas o cenário brasileiro ainda preocupa os especialistas.
Em entrevista à revista Cães e Gatos, a professora Dra. Fernanda Vieira Amorim da Costa explica que os casos de leucemia felina são bastante comuns na clínica veterinária.
De acordo com a pesquisadora, a prevalência da doença é alta em todo o país, chegando a 31% em Porto Alegre e até 47% em Belo Horizonte, a capital mineira.
Para piorar, a FeLV é uma infecção agressiva e apresenta um alto índice de mortalidade, pois deixa os felinos vulneráveis a diversos problemas de saúde oportunistas.
Mesmo sendo uma condição relativamente comum, ainda há muito o que se saber sobre a enfermidade, principalmente sobre prevenção e cuidados com felinos FeLV positivos.
E como informação nunca é demais, principalmente quando se trata da saúde dos nossos gatos, explicamos tudo sobre transmissão, sinais e tratamento da leucemia felina a seguir!
O que é FeLV em gatos?
A FeLV (leucemia viral felina) é uma doença infecciosa causada por um tipo de retrovírus exclusivo dos felinos, sejam eles domésticos ou selvagens.
Em inglês, o vírus da leucemia felina é chamado de Feline leukemia virus — e foi juntando suas iniciais que a sigla FeLV surgiu!
A doença foi identificada pela primeira vez em 1964 e, poucos anos depois, já existiam testes laboratoriais capazes de detectar a infecção. (COHN, 2006)
Durante muitos anos, a FeLV foi considerada a principal causa de morte entre gatos, uma vez que o vírus compromete o sistema imunológico dos animais, desencadeando diversas síndromes mais ou menos agressivas. (HARTMANN, 2011)
Hoje em dia, avanços envolvendo o diagnóstico e a prevenção da leucemia viral felina tornaram os quadros mais controláveis. Mas a doença ainda é considerada grave!
Como o vírus da leucemia felina age no organismo do gato?
Assim como outros retrovírus, o vírus da leucemia felina depende da estrutura celular do próprio gato para se multiplicar e continuar o seu ciclo de infecção no organismo.
Por isso, após o contato com o animal, suas partículas navegam por meio da corrente sanguínea em busca das células do sistema imunológico dos felinos.
Ali, o vírus da FeLV utiliza uma enzima chamada transcriptase reversa para produzir uma cópia de DNA a partir do seu RNA viral.
Quando a réplica — chamada provírus — é concluída, ela se transforma em uma espécie de forma e passa a fazer parte do próprio material genético do animal. (MEHL, 2004)
Assim, conforme as células do animal se multiplicam, novas cópias de DNA viral são criadas e se espalham por diferentes regiões do corpo do pet.
Graças ao mecanismo de replicação, o vírus da leucemia felina é difícil de controlar e pode permanecer no organismo dos gatos durante toda a sua vida! (PERROTTI, 2009)
O que acontece com um gato com FeLV?
Felizmente, entrar em contato com o vírus da leucemia felina não significa necessariamente desenvolver uma infecção ativa ou apresentar sinais da doença.
Na verdade, a evolução da FeLV depende de vários fatores, como a quantidade de vírus recebida, o tempo de exposição e a resposta imunológica de cada gato. (GREENE, 2015).
Características do próprio animal também influenciam os rumos da infecção, incluindo idade, estado de saúde, presença de outras doenças e condições ambientais.
Após a entrada do vírus no organismo, o sistema imunológico do gato tenta reconhecer e combater o agente infeccioso, gerando dois caminhos possíveis:
Uma resposta imunológica eficiente pode bloquear a multiplicação ainda nas fases iniciais, impedindo que a FeLV se estabeleça de forma persistente no organismo.
Uma resposta imunológica menos eficaz, por outro lado, permite que o vírus alcance estruturas como medula óssea, linfonodos e outros tecidos do sistema imunológico.
Quais são os tipos de infecção por FeLV?

Como vimos, o rumo da doença depende principalmente de como o sistema imunológico do gato reage ao contato com o vírus.
De forma geral, a literatura veterinária descreve cinco tipos principais de infecção: regressiva, progressiva, abortiva, latente e focal ou atípica.
Infecção regressiva
A infecção regressiva ocorre quando o organismo consegue conter a circulação do vírus pouco tempo após a infecção inicial, antes ou logo depois de atingir a medula óssea.
Nesse estágio inicial, o vírus infecta células do sistema imunológico, como linfócitos e monócitos, e testes laboratoriais, como o ELISA, já podem apresentar resultados positivos.
Durante algumas semanas ou meses, o vírus pode ser eliminado pela saliva, mas a viremia (presença de vírus na corrente sanguínea) tende a desaparecer conforme a resposta imunológica controla a infecção.
Mesmo após o controle da circulação viral no sangue, o organismo não elimina o vírus totalmente, pois o seu DNA permanece integrado ao material genético de algumas células.
Nessas condições, o vírus não é produzido de forma ativa e o gato geralmente não transmite a infecção para outros animais.
Exames moleculares, como o PCR, ainda podem detectar esse material genético viral, que permanece silencioso nas células.
Situações de imunossupressão em gatos ou doenças debilitantes podem reativar esse material viral e permitir que o vírus volte a se multiplicar no organismo. (HARTMANN 2012)
Infecção progressiva
Se o organismo não conseguir controlar a multiplicação do vírus após o contato inicial, é provável que os felinos desenvolvam uma infecção progressiva.
Isso significa que o vírus continua circulando no sangue do animal mesmo após semanas do contágio — condição chamada de viremia contínua.
Com a infecção ativa, o vírus da leucemia felina se replica inicialmente em tecidos linfoides, depois alcança a medula óssea e pode se espalhar para outros tecidos do organismo.
Ao contrário da infecção regressiva, quando submetidos a testes, os gatos com infecção progressiva permanecem como FeLV positivos e possuem um prognóstico ruim.
Para piorar, os animais com esse tipo de leucemia viral felina têm potencial de infectar outros pets por toda a sua vida! (GERALDO, 2021)
Infecção abortiva
Agora, se o organismo dos felinos conseguir bloquear a replicação do vírus logo após o contato inicial, geralmente ainda na região da orofaringe, teremos a infecção abortiva!
Neste caso, a boa resposta imunológica dos pets produz anticorpos neutralizantes capazes de impedir a disseminação do vírus pelo organismo.
Os felinos com infecção abortiva nunca se tornarão virêmicos e sempre apresentarão resultados negativos em testes que detectam o vírus da leucemia felina.
O único sinal de exposição ao agente será a presença de anticorpos específicos produzidos pelo seu sistema imunológico. (LITTLE et al., 2020)
Estudos indicam que cerca de um terço dos gatos expostos ao vírus da leucemia felina pode desenvolver esse tipo de resposta imunológica, especialmente quando expostos a uma baixa carga viral. (HARTMANN, 2012)
Na infecção abortiva, os felinos também mantêm expectativa de vida semelhante à de animais que nunca tiveram contato com o vírus. É o melhor cenário possível!
Infecção latente
Alguns gatos conseguem eliminar a viremia após as primeiras fases da infecção, porém o vírus não desaparece completamente do organismo.
Nesse cenário, o DNA proviral permanece armazenado nas células-tronco da medula óssea, onde fica integrado ao material genético do animal. É a chamada infecção latente!
Mesmo com a presença desse material viral, não ocorre produção ativa de novas partículas do vírus, pois a resposta do sistema imunológico consegue limitar a replicação e a expressão do microrganismo. (ALMEIDA et al., 2016)
Infecção focal
A infecção focal, também conhecida como infecção atípica, é um tipo de FeLV considerado raro na natureza. Estudos experimentais indicam que esse quadro pode ocorrer em até 10% dos gatos infectados. (LITTLE et al., 2020)
Nesses casos, o vírus da leucemia felina permanece restrito a alguns tecidos específicos, como glândulas mamárias, bexiga, olhos, baço, linfonodos ou intestino delgado.
Afinal, como o gato pega FeLV?

A transmissão da FeLV acontece pelo contato direto com secreções de gatos infectados (virêmicos), especialmente a saliva!
Por esse motivo, a doença ficou conhecida como “doença dos gatos amigos”, já que comportamentos sociais comuns na espécie favorecem sua disseminação.
Além dessas vias, o vírus também está presente na urina, fezes e até leite materno dos gatos infectados — embora essas rotas tenham menor importância na transmissão.
Isso significa que o seu melhor amigo pode contrair a FeLV durante atividades comuns no dia a dia, incluindo:
- Lambeduras compartilhadas durante os momentos de socialização e higiene;
- Mordidas durante brigas com felinos desconhecidos;
- Contato com urina ou fezes de animais infectados;
- Compartilhamento de comedouros e bebedouros contaminados com saliva.
A transmissão iatrogênica da FeLV também pode acontecer por meio de transfusões sanguíneas ou uso de agulhas e outros objetos contaminados.
Para prevenir esses casos, os especialistas recomendam que os gatos doadores de sangue sejam testados antes de qualquer coleta! (SILVA et al., 2020)
Além disso, fêmeas gestantes ou em fase de amamentação podem transmitir o vírus da leucemia felina aos seus filhotes na placenta, durante a alimentação ou pelas lambeduras.
A transmissão da mãe aos filhotes é chamada de transmissão vertical e, em muitos casos, acaba provocando a morte dos pequenos. (OLIVEIRA, 2013)
A FeLV é uma doença exclusiva dos gatos?
Apesar do seu alto poder de contágio entre os gatos, é importante lembrar que a FeLV não é uma zoonose e não é transmitida para outros animais ou humanos.
Como o vírus responsável pela infecção é exclusivamente felino, só os gatos domésticos e os felinos silvestres, como pumas e linces, correm riscos de desenvolvê-la. (HARTMANN & HOFMANN-LEHMANN, 2020; HARTMANN, 2012).
No Brasil, estudos realizados na região do Pantanal já detectaram a FeLV em uma onça-pintada de vida livre de 8 anos de idade. (AMARANTE et al. 2016)
O Centro de Pesquisa em Vida Selvagem da Itaipu Binacional também já identificou a infecção em uma jaguatirica macho nascida em cativeiro.
Entre os reis da floresta, a ocorrência da FeLV parece rara. A maioria das pesquisas realizadas com leões africanos não encontrou evidências de exposição ao vírus.
E, por incrível que pareça, nos grandes predadores da natureza, a leucemia felina provoca quadros e sintomas muito semelhantes aos encontrados nos nossos melhores amigos!
Quais são os sintomas da FeLV em gatos?
A maioria dos gatos infectados pelo vírus da leucemia felina não apresenta sinais da doença. E isso pode durar vários meses ou até anos depois do contágio!
Em geral, os sintomas da FeLV começam a aparecer à medida que a infecção compromete o sistema imunológico dos animais, deixando-os expostos a síndromes secundárias.
Quando isso acontece, é normal que o gato viva intercalando momentos de saúde plena com episódios de doenças recorrentes. (GONÇALVES, 2019)
A queda da imunidade — conhecida como imunosupressão — pode fazer com que o animal apresente sinais clínicos generalizados, incluindo:
- anemia em gatos;
- enterites (problemas estomacais);
- vômitos;
- apatia;
- febre;
- problemas reprodutivos;
- perda de apetite e emagrecimento progressivo;
- depressão;
- vocalização anormal;
- problemas neurológicos;
- dispneia (dificuldade para respirar);
- mucosas pálidas;
- gengivite;
- abscessos que não cicatrizam.
A infecção pelo vírus da leucemia felina também aumenta as chances do gato desenvolver neoplasias malignas, principalmente linfomas e leucemias. (JONES et al., 2000)
Isso acontece porque a ação viral da FeLV pode interferir em genes ligados ao crescimento e à multiplicação das células do organismo.
Os linfomas relacionados ao vírus da leucemia felina geralmente formam massas tumorais espalhadas pelo trato gastrointestinal, linfonodos abdominais, fígado, baço e rins.
Mas as neoplasias também podem afetar regiões fora do sistema linfático, incluindo o globo ocular dos animais infectados.
Como diferenciar a FeLV de outras doenças felinas comuns?

Por ser uma doença infecciosa que enfraquece as defesas do organismo, a FeLV pode provocar sinais parecidos com várias enfermidades que também afetam a saúde dos gatos.
Em geral, o diagnóstico da condição é feito com a ajuda de testes específicos, usados para detectar a presença do vírus no organismo do animal.
Sem esse apoio, é difícil diferenciar a doença de outras infecções, como o vírus da imunodeficiência felina (FIV)— especialmente se você não for um especialista!
Problemas no sistema digestivo, incluindo gengivite e estomatite, também podem estar relacionados ao calicivírus felino ou à própria FIV, então só um médico-veterinário poderá diagnosticar cada quadro com certeza.
FIV e FeLV não são a mesma coisa
Aliás, as siglas FIV e FeLV aparecem com tanta frequência na medicina felina que muitas pessoas acabam acreditando que todo gato com FeLV também possui FIV.
A confusão acontece porque as duas doenças comprometem o sistema imunológico e podem causar sinais semelhantes, como infecções recorrentes e queda da imunidade.
Apesar disso, FIV e FeLV são doenças diferentes, causadas por vírus distintos que afetam o organismo dos gatos por mecanismos variados.
De acordo com a Royal Canin, a FeLV costuma evoluir mais rápido do que a FIV e pode provocar mais doenças e complicações no organismo dos felinos. Entenda as diferenças e semelhanças entre os quadros na tabela abaixo!
| Característica | FIV | FeLV |
| Agente causador | Vírus da Imunodeficiência Felina | Vírus da Leucemia Felina |
| Principal forma de transmissão | Mordidas e brigas onde há o contato com a saliva de um animal infectado. | Contato próximo entre gatos, como lambeduras. Saliva, secreções nasais, urina, fezes e leite materno também podem transmitir o vírus. |
| Prognóstico | Evolução mais lenta. (HARTMANN, 2012) | Evolução mais rápida e mais agressiva. (HARTMANN, 2012) |
| Vacinação | Não há vacinas disponíveis no Brasil. | Existem vacinas disponíveis no Brasil. |
| Convivência com outros gatos | O indicado é que convivam com gatos FIV positivos. | O indicado é que convivam com gatos FeLV positivos. |
Atenção: tanto a FeLV quanto a FIV são doenças graves e exigem acompanhamento veterinário próximo. Então, se você suspeita que o seu pet possa ter qualquer uma das condições, leve-o para uma consulta imediatamente!
Saiba mais sobre a FIV e a FeLV neste vídeo com o biólogo Thiago Sá:
Quais gatos correm mais risco de contrair FeLV?
A infecção pelo vírus da leucemia felina tem distribuição mundial e pode atingir tanto gatos saudáveis quanto animais com problemas de saúde pré-existentes.
Um estudo organizado por pesquisadores da Universidade de Londrina em 2014 estimou que a distribuição mundial do FeLV varia de 1% a 18%.
No Brasil, estudos recentes detectaram prevalências variadas conforme a região analisada, incluindo 11,52% no Rio de Janeiro, 4,5% no Mato Grosso e 3% na Bahia. (ALMEIDA et al., 2012; LACERDA et al., 2017; POFFO et al., 2017).
De modo geral, os principais fatores de predisposição para a FeLV estão ligados à idade, estilo de vida e comportamento dos gatos.
Logo, os grupos com maior risco de exposição ao vírus são:
- Gatos errantes ou com livre acesso à rua: podem entrar em contato com animais infectados ou ambientes contaminados durante as “voltinhas”.
- Felinos que vivem em gatis, abrigos ou casas com muitos gatos: lambeduras e compartilhamento de potes de água e acessórios facilitam a disseminação do vírus.
- Gatos machos: disputas territoriais e a busca por fêmeas aumentam o contato entre os animais e o risco de transmissão.
Vale lembrar que os gatos filhotes apresentam maior risco de desenvolver a infecção progressiva da FeLV, porque o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.
Com o avanço da idade, muitos gatos passam a apresentar maior resistência ao vírus e podem desenvolver formas mais controladas da infecção. (HARTMANN, 2012)
Como é o diagnóstico da FeLV em gatos?
O diagnóstico da FeLV em gatos envolve a combinação de histórico clínico e exames laboratoriais específicos para a condição. Isso, é claro, só pode ser feito por um veterinário!
Como a doença pode apresentar diferentes desfechos — progressivo, regressivo, abortivo, latente ou focal —, a interpretação dos exames deve considerar o estágio da infecção.
Por isso, a recomendação é que todo gato tenha seu status para FeLV avaliado, seja em consultas de rotina, antes da vacinação ou antes de conviver com outros felinos.
Veja como cada passo envolvendo o diagnóstico da leucemia felina funciona!
Avaliação clínica e histórico do animal
Antes de solicitar o exame da FeLV em gatos, o veterinário avalia o histórico do animal para identificar fatores de risco.
Durante a consulta, é bem provável que o profissional questione o responsável sobre as particularidades do seu pet, então esteja preparado para responder perguntas como:
- Qual é a origem do gato?
- O felino possui acesso à rua?
- O animal costuma conviver com outros animais?
- Qual é a idade aproximada do gato?
- O felino possui um histórico de doenças recorrentes?
- Episódios de infecções secundárias, emagrecimento, infertilidade ou alterações hematológicas já aconteceram?
- O gato já foi testado ou vacinado para a FeLV?
Com essas informações em mãos, o médico-veterinário poderá formular hipóteses e solicitar os exames de FeLV em gatos mais adequados para cada caso.
Testes rápidos
Os testes rápidos para FeLV do tipo ELISA são os mais utilizados na rotina de clínicas e laboratórios veterinários, pois são práticos, confiáveis e acessíveis.
De modo geral, o exame funciona como teste de triagem, ajudando a identificar gatos que podem estar infectados pelo vírus da leucemia felina.
A análise é feita a partir de amostras de sangue total, geralmente coletadas com anticoagulante EDTA, e o resultado costuma ficar pronto em cerca de 10 minutos.
O exame detecta a proteína p27, presente no capsídeo do vírus da FeLV, indicando a presença do agente no sangue do animal. (MEDEIROS et al., 2019)
Em casos de infecção abortiva, por exemplo, o teste tende a ser negativo porque não há antígeno circulante.
Já na infecção regressiva, o exame pode inicialmente apresentar resultado positivo durante o período de viremia, mas tornar-se negativo quando o organismo controla sua circulação.
Por esse motivo, quando existe suspeita clínica, o veterinário pode solicitar novos testes ou exames complementares, como o PCR, para confirmar o diagnóstico.
Reação em cadeia da polimerase (PCR)
A reação em cadeia da polimerase, técnica apelidada de PCR, é um exame molecular que detecta diretamente o material genético do vírus da FeLV.
O teste pode ser realizado a partir de amostras de sangue, aspirado de medula óssea ou tecidos do animal investigado.
A técnica amplifica sequências específicas do DNA viral, o que permite identificar a presença do vírus mesmo em quantidades muito pequenas. (GREENE, 2015)
Por apresentar alta sensibilidade, o PCR é indicado quando os resultados dos testes rápidos são inconclusivos ou quando há suspeita de FeLV regressiva ou latente.
Ensaio de imunofluorescência (IFA)
O ensaio de imunofluorescência, conhecido pela sigla IFA, é um exame laboratorial com alta sensibilidade utilizado em grandes instituições de pesquisa veterinária. (SHERDING, 1994).
Em resumo, o teste analisa amostras de sangue periférico ou da medula óssea para detectar o antígeno p27 presente em células como neutrófilos e plaquetas.
Um resultado positivo no IFA geralmente indica viremia persistente, o que significa que o vírus ainda está se multiplicando no organismo do gato.
Ainda assim, alguns fatores podem interferir no resultado do exame, como amostras de baixa qualidade ou agregação de plaquetas, que geram resultados falso-positivos.
O que significa ser FeLV positivo ou FeLV negativo?

De modo geral, os laudos do teste de antígeno FeLV p27 trazem dois resultados principais: ou o gato testa positivo para o vírus da leucemia felina, ou testa negativo.
A interpretação, no entanto, exige alguns cuidados, pois o estágio da infecção e o momento da testagem influenciam o resultado final. Veja a seguir o que cada cenário pode indicar!
| Resultado do teste rápido para FeLV | O que significa | Próximos passos recomendados |
| Positivo | Indica presença do antígeno p27 no sangue (antigenemia), o que significa que o vírus está circulando no organismo e pode ser transmitido para outros gatos. | Confirmar o resultado com outro exame (como PCR). Repetir o teste após 6 semanas e novamente após mais 6 semanas para identificar se a infecção é progressiva ou regressiva. Manter o gato separado de gatos FeLV negativos até confirmação. |
| Negativo | Indica ausência de antígeno viral detectável no sangue no momento do exame. Pode significar que o gato: nunca foi exposto ao vírus da leucemia felina;está protegido pela vacinação;controlou a infecção (apresenta as formas regressiva ou abortiva da FeLV);ainda não se tornou positivo porque o contato com o vírus é recente. |
Caso exista suspeita de exposição recente, repetir o exame após 6 semanas, pois o antígeno viral pode levar de 3 a 6 semanas para se tornar detectável no sangue.
Até a nova testagem, o gato suspeito deve permanecer em isolamento. |
FeLV em gatos tem cura?
Atualmente, ainda não existe cura para a FeLV em gatos — mas isso não significa que o animal não possa viver bem com a condição. (LITTLE, 2020)
Afinal, mesmo sem uma terapia curativa, existem formas de garantir a qualidade de vida dos gatos com leucemia felina, como explicamos a seguir!
Qual é o tratamento para FeLV?
Como não existe um protocolo de tratamento específico para FeLV, o manejo da doença costuma focar no controle dos sintomas e das complicações associadas ao quadro.
Por isso, cada médico-veterinário define um plano de acompanhamento para monitorar a saúde do gato infectado ao longo do tempo.
Via de regra, pets que testaram positivo no teste para FeLV devem visitar um profissional a cada 6 meses, para garantir que quaisquer alterações de saúde sejam identificadas cedo.
Quando necessário, o veterinário poderá indicar medicações para controlar as manifestações clínicas do paciente, como anemia ou neoplasias.
Alguns antivirais utilizados em retrovírus humanos já foram estudados em gatos, mas os resultados ainda não foram conclusivos. (WESTMAN et al., 2024).
Entre as opções que podem ser utilizadas em alguns casos está o AZT, que ajuda a reduzir a carga viral e melhorar o estado clínico de alguns pacientes. (LITTLE et al., 2020).
Independentemente da abordagem escolhida, a nutrição de qualidade e o acompanhamento veterinário regular são fundamentais para manter a qualidade de vida de gatos com FeLV.
Como cuidar de um gato FeLV positivo em casa?
Receber o diagnóstico de FeLV pode ser assustador no início, mas é importante lembrar que os felinos com a condição ainda podem ter uma vida normal!
Dependendo do tipo de infecção desenvolvido, os gatos com leucemia felina só vão precisar de uma dose extra de atenção, um ambiente tranquilo e muito amor para viverem felizes.
Em entrevista à revista Cães e Gatos, a médica-veterinária Daniela Formaggio explica que o acompanhamento constante de um profissional e alguns ajustes na rotina podem ser necessários após um teste positivo — mas nada tão fora do normal.
“Em geral, as necessidades da espécie são as mesmas. O que muda é que o positivo para FeLV necessita de um acompanhamento veterinário mais específico para os transtornos que esse vírus pode causar”, alerta a profissional.
Na prática, os cuidados com um gato imunossuprimido são simples e envolvem:
- manter as vacinas e o calendário antiparasitário do pet em dia;
- limitar o acesso à rua e o contato com outros animais;
- garantir um ambiente tranquilo e com pouco estresse;
- evitar a convivência com gatos FeLV negativos;
- tratar condições associadas ao quadro de vez em quando;
- realizar check-ups e exames gerais a cada 6 meses.
Ambientes enriquecidos, com brinquedos, arranhadores e espaços para explorar, também ajudam a estimular o comportamento natural dos felinos e contribuem para o seu bem-estar.
Melhores brinquedos para gatos em oferta
Além disso, lembre-se de oferecer uma alimentação de qualidade e suplementos indicados pelo veterinário para manter o sistema imunológico do pet forte!
Como prevenir a FeLV em gatos?
Apesar de não existir cura, algumas ações preventivas diminuem as chances de contágio da FeLV e ajudam a preservar a saúde do seu gato. As principais são:
- Testar todos os felinos na primeira consulta veterinária para garantir a identificação precoce dos quadros.
- Realizar a quarentena de novos felinos antes de introduzi-los em casa, já que o vírus pode levar algumas semanas para se manifestar.
- Separar gatos FeLV positivos de gatos FeLV negativos, evitando a transmissão do vírus da leucemia felina em casas com mais de um pet.
- Manter a vacinação felina em dia, já que os imunizantes contra a FeLV oferecem uma proteção prolongada e reduzem os riscos de infecção.
- Controlar o acesso do animal à rua, prevenindo o contato com gatos possivelmente infectados e diminuindo as chances de transmissão.
Lembre-se: a falta de higiene básica também é uma forma de propagação da condição, então mantenha o ambiente sempre limpo!
Resumindo, a combinação entre testagem, vacinação e manejo responsável é a forma mais segura de proteger os felinos contra a FeLV!
4 mitos e verdades sobre a FeLV

1. Leucemia felina passa para humanos
Mito. A leucemia viral felina é causada por um retrovírus exclusivo dos felinos. Isso significa que a doença não infecta humanos, cães ou outros animais domésticos.
A transmissão da FeLV ocorre apenas entre gatos, principalmente pelo contato próximo entre felinos, como lambidas, compartilhamento de potes ou convivência prolongada.
Além dos gatos domésticos, alguns felinos selvagens, como pumas, onças e linces, também podem ser infectados e desenvolver quadros semelhantes.
2. A FeLV não tem cura, mas tem tratamento
Verdade. Atualmente, não existe cura para a leucemia felina, mas isso não significa que nada possa ser feito.
O manejo da doença envolve o acompanhamento veterinário regular e tratamentos voltados ao controle de sintomas e de infecções secundárias, comuns em gatos imunossuprimidos.
Em alguns casos, terapias antirretrovirais podem ser utilizadas na fase assintomática da doença, quando o organismo ainda responde melhor ao tratamento. (LITTLE, 2016).
3. Gatos com FeLV devem ser sacrificados
Mito. O diagnóstico de FeLV nunca é uma sentença de morte! Embora a doença possa reduzir a expectativa de vida de alguns felinos, isso nem sempre acontece.
Quando recebem acompanhamento veterinário e cuidados adequados, muitos gatos com FeLV conseguem viver por muito tempo com uma boa qualidade de vida.
4. A vacina para FeLV tem alta taxa de eficácia
Verdade. A vacinação ainda é a melhor forma de prevenir a leucemia em gatos, e apesar de nenhuma vacina oferecer proteção absoluta, os imunizantes impedem a transmissão da doença, protegendo todos os felinos ao seu redor! (WILLETT; HOSIE, 2013)
Perguntas frequentes sobre FeLV em gatos (FAQ)
Por que a FeLV é perigosa?
A FeLV é uma das principais doenças virais em gatos e, dependendo de como se manifesta no organismo do animal, pode comprometer o sistema imunológico felino.
Com a queda das defesas do organismo, o gato fica mais suscetível a infecções, anemias e alguns tipos de câncer, como o linfoma.
Quanto tempo de vida um gato com FeLV tem?
A expectativa de vida de um gato FeLV positivo pode variar conforme o tipo de infecção desenvolvida pelo felino (regressiva, progressiva, abortiva, latente ou focal).
Para gatos com infecção progressiva, a expectativa de vida gira em torno de 2 a 4 anos, mas alguns pets vivem mais tempo com os cuidados adequados. (LITTLE et al., 2020)
Quanto tempo o FeLV fica no ambiente?
O vírus da leucemia felina vive pouco fora do organismo dos animais e pode ser inativado pelo calor, álcool, alvejante e detergentes comuns nestes meios. (MEHL, 2004; HARTMANN, 2006; LEVY et al., 2008)
De acordo com Norsworthy et al. (2004), sem produtos químicos, o vírus da leucemia em gatos não sobrevive por mais de uma semana no ambiente.
Gatos com FeLV podem conviver com outros felinos?
A convivência entre gatos FeLV positivo e negativo é desaconselhada pelos profissionais da área, uma vez que o vírus da leucemia felina é transmitido com facilidade entre felinos.
Por conta disso, a recomendação é que gatos positivos convivam apenas com outros gatos também positivos para FeLV.
FeLV passa para cachorro?
Não. A leucemia viral em gatos é causada por um vírus exclusivo dos felinos e não infecta humanos, cães ou outros animais domésticos.
Então, se você está pensando em adotar um gato com FeLV, mas já tem um cachorro em casa, não precisa se preocupar!
Como saber se meu gato tem FeLV?
A única forma segura de diagnosticar a FeLV é por meio de exames realizados pelo médico-veterinário. Os testes mais comuns são o teste rápido (ELISA) e o exame molecular PCR, feitos a partir de amostras de sangue.

O que achou do conteúdo?
A FeLV é uma doença séria e merece atenção, principalmente porque afeta o sistema imunológico dos gatos e pode abrir caminho para outros problemas de saúde graves.
Mas, como você viu, receber o diagnóstico não é uma sentença de morte e nem significa que o seu gato desenvolverá uma forma agressiva da doença.
Com informação, diagnóstico precoce, cuidados corretos e muito amor, é possível oferecer qualidade de vida e bem-estar ao gato com FeLV.
Esperamos que o artigo tenha te ajudado e, se você quiser continuar aprendendo sobre saúde felina, aproveite para explorar outros conteúdos aqui no Blog da Cobasi!
Referências
- Centro Universitário Brasileiro | Leucemia viral felina: revisão de literatura
- Cães & Gatos | Adotar um gato FeLV positivo é um gesto de compaixão e responsabilidade
- Revista Foco | Vírus da Leucemia Felina (FeLV): prevenção, diagnóstico e cuidados necessários
- Cães & Gatos | Miou, testou: testes FIV e FeLV são importantes para identificar animais infectados
- Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária | Leucemia viral felina (FeLV): revisão bibliográfica
- Cães & Gatos | Gatos positivos para FeLV podem apresentar incômodos no momento de se alimentar
- PubMed Central | Infecção pelo vírus da leucemia felina
- Cães & Gatos | Alta incidência de FELV no Brasil representa um alerta aos tutores de gatos
- Universidade Brasil | Vírus da imunodeficiência felina (FIV) e vírus da leucemia felina (FeLV)
- Royal Canin Portal Vet | FeLV: principais aspectos, diagnóstico e prevenção da doença
- Universidade Estadual de Londrina | Prevalência de leucemia e imunodeficiência viral felina em gatos atendidos no hospital veterinário da Universidade Estadual de Londrina (PR) em 2014
- Metrópoles | Veterinária responde seis dúvidas sobre a FIV e FeLV em gatos
- Delta Life | Leucemia felina: como o veterinário faz o diagnóstico?
- Revista FT | Doenças virais em felinos selvagens nativos do brasil
- Springer Nature | Epidemiologia do vírus da imunodeficiência felina e do vírus da leucemia felina em leões africanos, guepardos e gatos domésticos na África: uma revisão narrativa.
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