A dirofilariose canina, também conhecida como verme do coração, é uma afecção causada pelo nematódeo Dirofilaria immitis — um parasita que se instala no coração, pulmões e vasos de cães selvagens e domésticos.
Apesar de grave, a parasitose evolui silenciosamente, o que dificulta o seu diagnóstico precoce. Nos estágios iniciais, muitos pets nem mesmo apresentam sintomas da condição!
Conforme a quantidade de vermes aumenta, no entanto, os cachorros começam a desenvolver sinais clínicos gerais, como tosse persistente, dificuldade respiratória, intolerância ao exercício e perda de peso gradual. (McCall et al., 2017).
Outra grande preocupação é o potencial zoonótico da dirofilariose, já que ela pode, sim, ser transmitida de forma acidental para os humanos.
E se você ainda acha que a condição só é um problema para quem vive em regiões litorâneas, cuidado!
Segundo a Royal Canin, nas últimas décadas, é possível notar uma expansão geográfica nos focos da infecção, inclusive em ambientes urbanos antes considerados de baixo risco.
Isso porque a transmissão da dirofilariose acontece através da picada de mosquitos dos gêneros Culex, Anopheles e Aedes — o mesmo vetor da dengue, zika e chikungunya.
A boa notícia é que a doença do verme do coração tem cura e pode até ser prevenida com pequenos cuidados no dia a dia.
Com a colaboração da Dra. Nathalia do R. Martins (CRMV/SP 39844), médica-veterinária da unidade Valinhos da Pet Anjo, vamos contar tudo sobre a dirofilariose canina: transmissão, sintomas, tratamento e prevenção. Confira!
O que é dirofilariose canina?
A dirofilariose é uma doença parasitária causada pelo nematódeo Dirofilaria immitis, verme da família Filariidae que pode medir até 310 mm (31 cm) de comprimento. (CUNHA, 2019)
Os cães são hospedeiros naturais deste parasita, e ele amadurece e se reproduz no sistema circulatório e linfático dos animais.
Para McCall et al. (2017), os vermes se acumulam especialmente na artéria pulmonar e no ventrículo direito dos cachorros, formando uma espécie de aglomerado de fios.
Com a progressão da infecção, parasitas vivos ou mortos passam a sobrecarregar o sistema cardiovascular dos pets. Por isso, a doença ganhou o apelido de “verme do coração”.
Mas atenção: apesar da alcunha, a médica-veterinária Nathalia explica que a dirofilariose não afeta exclusivamente esse órgão, como muitos poderiam imaginar.
“Apesar de ser popularmente conhecida como “verme do coração”, a dirofilariose não afeta somente este órgão. Os vermes se alojam no coração, porém os danos se estendem aos pulmões e vasos sanguíneos. Podendo, dependendo da quantidade de vermes, levar o animal a óbito rapidamente”, alerta.
Como um cachorro pega o verme do coração?
Diferente do que acontece com muitos vermes intestinais caninos, a Dirofilaria immitis não é transmitida diretamente de um cão infectado para outro.
Na verdade, para chegar até o organismo de um cachorro saudável, o verme do coração precisa de um vetor que funcione como hospedeiro intermediário: os mosquitos!
Em geral, os três principais gêneros de insetos envolvidos na transmissão são Ochlerotatus, Culex e Anopheles. Ainda assim, casos envolvendo mosquitos Aedes já foram registrados.
Para isso, basta que um mosquito pique um animal infectado pela D. immitis. Uma vez em contato com elas, o ciclo de vida do parasita se inicia!
Ciclo de vida da Dirofilaria immitis – o verme do coração
O ciclo de vida da Dirofilaria immitis é relativamente longo quando comparado ao de outros nematódeos, levando, em média, de 7 a 9 meses para se completar.
Dentro do mosquito, as microfilárias (forma imatura do verme) ingeridas passam por três etapas de desenvolvimento até se tornarem larvas infectantes:
- No inseto vetor, o estágio larval 1 (L1) invade os túbulos de Malpighi.
- Ali, ele sofre uma metamorfose e alcança o estágio larval 2 (L2).
- Finalmente, a larva atinge o estágio larval 3 (L3) e pode ser transmitida a um hospedeiro definitivo.
Dependendo da temperatura, a D. immitis L1 leva de 1 a 10 dias para se transformar em L3.
Nesta fase, o parasita migra até o aparelho bucal do mosquito e, durante a picada, é depositado embaixo da pele de um novo hospedeiro. (SILVA, 2017)
Dali, as larvas penetram o organismo até alcançarem a corrente sanguínea do animal, onde viajam para o seu coração e pulmões.
Com cerca de 4 meses, a D. Immitis atinge a maturidade sexual e aumenta significativamente de tamanho. (NASCIMENTO et al., 2021)
Entre 6 a 9 meses após a infecção, os parasitas passam a liberar novas larvas na corrente sanguínea, que poderão ser ingeridas por outros mosquitos e reiniciar o ciclo de transmissão do verme do coração.
Para piorar, a longevidade da Dirofilaria immitis é surpreendentemente alta! Quando maduros, os vermes podem viver de 5 a 7 anos em cães infectados. As microfilárias também podem permanecer no sangue dos pets por até 2 anos inteiros.

Quais são os sintomas de verme do coração em cachorro?
Os animais infectados pela dirofilariose canina geralmente são assintomáticos e não apresentam sinais clínicos da infecção em seus estágios iniciais.
Isso porque a presença de sintomas depende do tempo de contágio, da quantidade de vermes presentes no animal e, claro, da resposta do seu organismo à infestação.
Com a evolução do quadro, os parasitas passam a provocar alterações nas artérias pulmonares e no coração, inflamando os vasos e comprometendo a circulação sanguínea progressivamente. Aí, sim, os sintomas começam a aparecer!
Em geral, a American Heartworm Society classifica os sinais da doença de acordo com a gravidade do quadro, como mostramos na tabela:
| Grau da doença | Principais sinais clínicos |
| Leve | Assintomático ou tosse leve. |
| Moderado | Tosse, intolerância ao exercício, sons pulmonares alterados. |
| Severo | Tosse, intolerância ao exercício, dispneia, sons cardíacos e pulmonares anormais, aumento do fígado, síncope e ascite. |
| Síndrome da veia cava | Letargia súbita, fraqueza, hemoglobinúria, colapso e risco de morte. |
Como os sintomas de dirofilariose canina são inespecíficos e podem variar bastante de um animal para outro, a doença muitas vezes acaba passando despercebida pelos tutores.
Afinal, é fácil confundir a condição com outras doenças cardíacas ou respiratórias comuns em cães, incluindo bronquite, tromboembolismo pulmonar, infecções, neoplasias, anemia ou insuficiência cardíaca.
Por isso, ao se depararem com um caso suspeito, os médicos-veterinários geralmente investigam (e descartam) as doenças com manifestações clínicas semelhantes primeiro!
Como os veterinários identificam o verme do coração?

O diagnóstico da dirofilariose só é confirmado quando os profissionais conseguem encontrar indícios da Dirofilaria immitis no sangue, soro ou plasma do animal.
Para chegar a essa confirmação, a prática clínica costuma combinar dois grupos principais de exames: os que detectam antígenos do parasita adulto e os que identificam microfilárias circulantes, as formas imaturas do verme.
| Tipo de exame | Nome do exame | O que detecta | Pontos positivos e negativos |
| Testes de antígeno | ELISA | Antígenos de D. immitis adulto | Positivo: é um teste rápido, considerado um dos métodos mais eficazes de detecção. Negativo: pode apresentar reação cruzada com outros nematódeos, criando um falso positivo. |
| Imunocromatográfico | Antígenos de D. immitis adulto | Positivo: método prático para a rotina clínica. | |
| Detecção de microfilárias | Gota fresca | Microfilárias circulantes | Negativo: pela baixa sensibilidade, pode gerar vários falsos negativos. |
| Técnica modificada de Knott | Microfilárias circulantes | Positivo: permite diagnóstico diferencial entre espécies da Dirofilaria. |
Infelizmente, testes feitos quando a infecção ainda é recente (intervalo de 5 a 6 meses após a picada dos mosquitos) muitas vezes acabam apresentando um falso negativo.
Justamente por isso, a American Heartworm Society recomenda a testagem anual para cães a partir de 7 meses de idade, mesmo em animais aparentemente saudáveis.
Assim, as chances de detectar a doença o mais cedo possível aumentam!
Exames complementares
Em estágios avançados da doença, exames complementares também podem ajudar a avaliar a gravidade do quadro e as alterações no coração e nos pulmões dos cães.
Segundo Silva (2018), os principais testes indicados neste contexto são:
- Radiografia torácica: avalia lesões pulmonares e cardíacas, como dilatação das artérias pulmonares, edema e nódulos na região.
- Ecocardiografia: permite a visualização dos danos causados pelos vermes e até a observação direta de vermes adultos, em alguns casos.
Hemogramas, urinálise e bioquímica sérica também podem ajudar o profissional a verificar o estado de saúde geral do animal e o grau de comprometimento gerado pela dirofilariose.
Por que o diagnóstico precoce da dirofilariose faz tanta diferença?
Muitos cães só recebem o diagnóstico da dirofilariose quando o seu quadro está tão avançado que as complicações e danos causados são muito difíceis de reverter.
Afinal, conforme o tempo passa, os vermes se multiplicam cada vez mais, atingem outros órgãos do animal, como rins e fígado, e comprometem seu funcionamento.
Fora que, quanto maior for a carga parasitária, maior é o risco de tratar a condição, já que a eliminação dos vermes pode bloquear a circulação do animal!
Às vezes, buscar a “cura” da dirofilariose acaba se tornando arriscado demais, e tudo o que os profissionais podem fazer é aliviar o desconforto do pet.
Por isso, o diagnóstico precoce faz tanta diferença. Com ele, é possível agir antes das complicações e aumentar as chances de recuperação total do seu melhor amigo.
Como a dirofilariose evolui?
Embora a dirofilariose possa demorar anos para se manifestar, isso não significa que a doença permaneça estável. Sua evolução só é mais lenta do que a de outras condições!
Via de regra, a progressão da doença costuma ser dividida em graus de severidade, que acompanham o aumento da carga parasitária e o impacto no coração, pulmões e vasos sanguíneos do animal.
1. Fase leve
A fase leve é caracterizada por uma baixa quantidade de vermes adultos e poucas alterações estruturais.
Nessa etapa, muitos cães permanecem assintomáticos ou apresentam sintomas clínicos inespecíficos, como tosse leve e ocasional.
2. Fase moderada
A fase moderada ocorre quando a carga parasitária aumenta e já existem alterações inflamatórias nas artérias pulmonares.
Aqui, a circulação do animal começa a ser prejudicada e surgem sinais como tosse frequente, cansaço e intolerância ao exercício.
3. Fase severa
Na fase severa, o número de vermes adultos no organismo do cachorro é alto e as lesões pulmonares e cardíacas se tornam mais evidentes.
O animal pode apresentar falta de ar, fraqueza, perda de peso, aumento do fígado, desmaios e acúmulo de líquido no abdômen, indicando insuficiência cardíaca congestiva.
4. Síndrome da veia cava (fase crítica)
A síndrome da veia cava ocorre quando uma grande quantidade de vermes migra das artérias pulmonares para o lado direito do coração e para a veia cava, bloqueando o fluxo sanguíneo dos cães.
O quadro provoca colapso circulatório, fraqueza intensa, hemoglobinúria (urina escura com sangue) e risco elevado de morte, sendo uma emergência veterinária.
Quais cães têm mais chances de pegar verme do coração?

A dirofilariose canina é uma doença de caráter endêmico no Brasil, ou seja, é mais comum em algumas regiões do país.
Isso acontece porque o clima tropical oferece as condições ideais para a transmissão dos mosquitos vetores do verme do coração — incluindo umidade e clima quente.
Não por acaso, segundo o Conselho Federal de Biologia, na América Latina, nós reunimos o maior número de relatos da infecção, com transmissão ativa em 14 dos 26 estados!
Como consequência, alguns cães ficam naturalmente mais expostos à dirofilariose do que outros, dependendo dos seguintes fatores de risco:
Localização geográfica
A ocorrência da doença varia conforme a região, já que o parasita depende de clima quente e temperaturas acima de 14 °C para completar seu ciclo de vida. (MCGARRY, 2018)
Logo, não é de se surpreender que as maiores taxas de dirofilariose canina sejam registradas no litoral brasileiro, onde há umidade, calor e mosquitos de sobra!
Em 2014, um estudo da revista Springer Nature concluiu que a prevalência média de cães infectados com a doença na costa do nordeste, sul e sudeste do Brasil é de 23%.
Apesar disso, a doença já se expandiu para regiões bem distantes do litoral, impulsionada pela mobilidade de animais e mudanças climáticas. (NONNIS et al., 2025).
Clima e época do ano
A dirofilariose canina apresenta um comportamento sazonal e surge com mais frequência no verão, quando os dias são mais quentes e chuvosos. (SALGUEIRO, 2016)
Nessas condições, os mosquitos vetores da D. immitis conseguem se multiplicar com mais facilidade, favorecendo o aumento de casos clínicos e subclínicos da doença.
Áreas de risco
A expansão de imóveis em áreas de risco também influencia o aumento de casos de dirofilariose canina, já que as construções alteram a drenagem do solo e criam focos de água parada — algo que os mosquitos hospedeiros da condição adoram!
Outro fator de risco é o surgimento das chamadas “ilhas de calor” nas cidades, formadas por construções, asfaltos e estacionamentos que retêm calor ao longo do dia.
Como resultado das temperaturas elevadas, as larvas do verme do coração podem se desenvolver mais facilmente, aumentando os riscos de transmissão. (AHS, 2018)
Estilo de vida e exposição do animal
Segundo o Manual Veterinário MDS, cães que vivem ao ar livre estão mais expostos ao verme do coração do que animais de companhia criados exclusivamente em casa.
Afinal, animais que frequentam quintais ou áreas com vegetação têm mais chances de entrar em contato com mosquitos infectados.
Isso não significa que os cachorros que vivem dentro de casa estão 100% protegidos. Até porque, onde existem mosquitos, existe a possibilidade de transmissão!
Qual é o tratamento para a dirofilariose canina?
O tratamento para verme do coração em cachorro é complexo, exige acompanhamento veterinário e apresenta riscos, principalmente quando a doença está em estágio avançado.
Até porque a eliminação dos parasitas adultos — espontânea ou induzida — pode causar complicações graves, como lesões e obstrução dos vasos sanguíneos.
Antes de iniciar o protocolo, a American Heartworm Society recomenda que cães com sinais clínicos significativos sejam estabilizados.
Com esse objetivo em mente, os veterinários podem indicar o uso de glicocorticoides, diuréticos, vasodilatadores, fármacos inotrópicos e fluidoterapia.
Após a estabilização, o protocolo terapêutico segue uma abordagem multimodal. O foco é eliminar formas adultas e jovens dos parasitas com o mínimo de efeitos colaterais possíveis.
Antibióticos, vermífugos e intervenção cirúrgica
Para vermes do coração adultos, a Food and Drug Administration aprova o uso da melarsomina, fármaco feito à base de arsênico de rápida absorção.
Durante todo o tratamento, o repouso absoluto é essencial, pois a morte dos vermes pode provocar tromboembolismo pulmonar.
Por esse motivo, atividades físicas devem ser evitadas desde o diagnóstico até, pelo menos, um mês após a última aplicação do medicamento. (SEBOLT, 2020)
Infelizmente, a melarsomina não é registrada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (MAPA) e, portanto, não pode ser comercializada no país.
Logo, muitos profissionais acabam optando por um tratamento misto, combinando antibióticos, como a moxidectina, e antiparasitários do grupo das lactonas macrocíclicas.
Quando o cão apresenta microfilárias circulantes (formas jovens do verme), também podem ser usados anti-histamínicos e glicocorticoides para evitar reações inflamatórias.
Em casos com alta carga parasitária ou síndrome da veia cava, pode ser indicada a remoção cirúrgica dos vermes — mas os riscos da intervenção são altos.
Verme do coração tem cura?
Receber o diagnóstico de verme do coração em cães pode assustar, mas a dirofilariose tem tratamento e, em muitos casos, a cura é totalmente possível.
Quando a infecção é identificada cedo, a maioria dos animais se recupera bem e volta a ter uma vida normal, com poucas ou nenhuma sequela. (SILVA et al., 2024)
Mas, para isso, é importante que você leve o seu cão a um médico-veterinário assim que notar os sinais da infecção e siga todo o protocolo indicado pelo profissional à risca.
Afinal, cachorros que desenvolvem síndrome da veia cava, insuficiência cardíaca direta ou tromboembolismo possuem um prognóstico menos positivo.
Como prevenir a dirofilariose em cães?

Por conta da complexidade e dos riscos envolvidos no tratamento da dirofilariose canina, a prevenção é sempre a melhor forma de combater o verme do coração!
Em áreas endêmicas ou com grande notificação de casos, os veterinários costumam criar um plano preventivo individualizado, considerando o nível de exposição de cada pet.
Ainda assim, nenhum cão está completamente livre de risco — por isso, todos os animais devem seguir algum tipo de protocolo de prevenção contínuo, incluindo:
1. Controle ambiental de insetos
A transmissão da dirofilariose depende da presença de mosquitos vetores. Então, se você quer manter o seu amigo protegido, mantenha esses visitantes indesejados bem longe!
O cuidado com calhas, ralos e vasos de plantas que possam acumular água parada e a limpeza de quintais e entulhos são pontos-chave para reduzir a população de insetos.
Fazendo isso, você não só protege o seu cachorro da dirofilariose, mas toda a sua família de doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue e a zika.
2. Repelentes e coleiras antiparasitárias
Além do manejo ambiental, o uso de repelentes e coleiras antipulgas para cães cria uma barreira adicional de proteção para o seu animal.
Isso porque os produtos tópicos ajudam a reduzir a chance de picadas e, consequentemente, a transmissão do parasita, como explica a doutora Nathália:
“Use sempre antiparasitários de ação preventiva e, de preferência, de uso tópico, que são as pipetas de colocar na pele e coleiras. Mas antes, consulte um médico-veterinário, para que ele possa indicar a pipeta e a coleira correta para cada animal”, aconselha a profissional.
O tempo de proteção de cada coleira ou pipeta antipulgas pode variar conforme cada fabricante. Atente-se aos prazos e faça trocas ou reaplicações quando necessário!
3. Medicação preventiva
Além dos produtos de uso mensal, alguns veterinários podem aplicar uma medicação injetável preventiva, popularmente conhecida como vacina para dirofilariose.
Embora não seja exatamente uma vacina, mas sim um antiparasitário de ação prolongada que elimina microfilárias, a solução pode manter os animais protegidos por até 12 meses.
Neste caso, é importante avaliar os riscos envolvendo a aplicação com um médico-veterinário — já que os contras podem ser maiores do que os prós.
4. Testagem e uso de fármacos antiparasitários em áreas endêmicas
Por fim, o acompanhamento veterinário preventivo é indispensável para manter o seu cachorro protegido contra a dirofilariose ao longo da vida.
A American Heartworm Society recomenda a realização anual de exames para detecção de antígenos e microfilárias da D. immitis, pois a testagem de rotina permite confirmar se a prevenção está realmente funcionando.
Em regiões com maior risco de transmissão, como áreas litorâneas e locais com muitos mosquitos, o uso contínuo de fármacos profiláticos passa a ser ainda mais importante.
Algumas medicações usadas nesta tarefa são a ivermectina, a milbemicina oxima e a moxidectina, que eliminam formas imaturas do parasita antes que elas se desenvolvam.
Seja como for, só um médico-veterinário pode indicar o fármaco e a frequência de aplicação ideal para cada caso. Então, jamais automedique seu pet!
Saiba para que serve a Ivermectina para cachorro neste vídeo com o médico-veterinário Raul Galdino:
Perguntas frequentes sobre verme do coração em cães (FAQ)
Verme do coração passa para humanos?
Sim. A dirofilariose canina é considerada uma zoonose, ou seja, pode afetar humanos de forma acidental. Mas já adiantamos que isso não acontece com frequência!
Afinal, assim como ocorre com os cães, a transmissão do parasita se dá pela picada de um mosquito portador do verme do coração.
Por não ser o hospedeiro habitual da D. immitis, o ciclo do parasita não se completa em pessoas. Mesmo assim, as larvas podem alcançar a circulação pulmonar e desencadear uma reação inflamatória local. (SIMÓN, F. et al., 2012)
Na maioria dos casos, a infecção humana é assintomática. Quando há manifestação clínica, o quadro costuma se apresentar como nódulos únicos ou múltiplos no pulmão.
Em situações mais raras, a morte do parasita pode provocar pequenas obstruções nos vasos pulmonares, causando embolia ou um infarto pulmonar.
Quanto tempo vive um cachorro com verme do coração?
Não existe uma resposta única para essa pergunta, já que a evolução da dirofilariose varia bastante de um animal para outro.
Cães com poucos vermes podem viver por anos sem sinais evidentes, embora a doença continue progredindo de forma silenciosa no organismo.
Já em casos mais graves, a obstrução dos vasos e a insuficiência cardíaca podem reduzir bastante a expectativa de vida do cachorro e até causar sua morte súbita.
Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, porém, as chances de recuperação dos pets são grandes, e os pequenos podem viver por muito tempo!
Qual exame detecta vermes do coração?
Os testes mais utilizados são os exames de detecção de antígenos do parasita adulto (como ELISA) e os exames para microfilárias, como a Técnica modificada de Knott.
Em casos mais avançados, exames de imagem como radiografia torácica e ecocardiografia também podem mostrar vermes adultos e alterações no coração e nos pulmões dos pets.
Como eliminar o verme do coração do cachorro?
O protocolo de tratamento para verme do coração em cães mais comum inclui o uso de medicamentos antibióticos e antiparasitários para eliminar parasitas adultos e suas larvas.
Em casos mais graves, pode ser necessária a remoção cirúrgica dos vermes para reduzir as chances de complicações.
Ivermectina mata o verme do coração?
A ivermectina pode ajudar, mas não é considerada o principal remédio para verme do coração em cachorro. Ao menos, não sozinha!
O medicamento atua principalmente contra as formas imaturas do parasita (microfilárias) e ajuda a impedir que a doença se desenvolva após a picada do mosquito.
Em protocolos terapêuticos específicos, a ivermectina pode ter efeito parcialmente adulticida, ou seja, capaz de reduzir a quantidade de vermes adultos ao longo do tempo.
No entanto, esse processo é muito lento e pode levar meses ou até anos, período em que os parasitas continuam causando danos ao organismo. (SILVEIRA, 2018)
Por esse motivo, o tratamento padrão da dirofilariose utiliza medicamentos adulticidas específicos, indicados pelo médico-veterinário, associados a outras terapias de suporte.
A ivermectina, nesse contexto, entra como complemento ou medida preventiva, e seu uso deve ser indicado e acompanhado por um profissional.
Existe vacina para verme do coração em cachorro?
Não existe vacina contra a dirofilariose canina. A prevenção parasitária em cães pode incluir uma medicação injetável anual, mas ela não é uma vacina.
O medicamento funciona como profilaxia de ação prolongada, baseada em lactonas macrocíclicas, que impedem o desenvolvimento das microfilárias no organismo.
Mesmo assim, a aplicação deve sempre ser orientada pelo médico-veterinário, de acordo com o risco de exposição do animal.
Verme do coração pode voltar?
Sim. A dirofilariose pode retornar se não houver prevenção contínua após o tratamento, mesmo com acompanhamento veterinário e uma rotina de exames cardiológicos.
Isso porque o tratamento elimina os parasitas presentes naquele momento, mas não protege o pet contra novas picadas de mosquitos infectados. Logo, o controle e os cuidados preventivos devem ser mantidos durante toda a vida do animal.
Cachorro de apartamento pega dirofilariose?
Muita gente acha que só os cães com acesso à praia ou áreas abertas podem contrair a dirofilariose — mas isso não passa de um mito.
Segundo o portal Cães e Gatos, animais que vivem em regiões próximas a rios, lagos e represas estão mais expostos, já que nesses locais a população de mosquitos é maior.
No entanto, restringir o risco apenas a essas áreas é um equívoco, já que existem diversos registros da doença em regiões urbanizadas no Brasil.
Uma forma simples de entender o risco é pensar assim: onde há dengue, há a possibilidade de dirofilariose, pois os mesmos mosquitos que transmitem doenças humanas podem carregar as larvas do verme do coração.
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Como você viu, a dirofilariose canina é uma doença lenta e silenciosa — e é justamente isso que a torna tão perigosa.
Logo, manter a prevenção parasitária em dia e contar com acompanhamento profissional são as melhores formas de proteger a saúde do coração do seu cachorro.
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E se quiser aprender mais sobre saúde, comportamento e bem-estar animal, já sabe: continue a explorar os conteúdos aqui do Blog da Cobasi!
Referências:
- Royal Canin Portal Vet | Dirofilariose: o que é, diagnóstico e prevenção
- American Heartworm Society | Dirofilariose em cães
- Conselho Federal de Biologia (CFBio) | Bióloga alerta para doença transmitida pelo Aedes aegypti que pode matar cães
- Springer Nature | Taxas atualizadas de infecção canina por Dirofilaria immitis em áreas do Brasil previamente identificadas como tendo alta incidência de cães infectados por dirofilariose.
- Centro Universitário Brasileiro – UniBra | Dirofilariose em cães: revisão de literatura
- Cães & Gatos | Setembro Vermelho: veterinário alerta para os riscos da Dirofilariose nos animais de companhia
- MSD Vet Manual | Doença do verme do coração em cães, gatos e furões
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