As nefropatias caninas — nome dado às doenças associadas aos rins — são mais comuns do que a maioria dos responsáveis imagina. E o pior: elas geralmente se desenvolvem de maneira silenciosa até causarem estragos sérios na saúde dos animais.
Por isso, um cachorro com problema renal pode apresentar sintomas discretos no início, como o aumento do consumo de água e mais idas ao tapete higiênico.
Ainda assim, as nefropatias logo mostram sua gravidade, pois o comprometimento da função dos rins impede a filtragem do sangue e prejudica diversos órgãos dos animais.
Além disso, as alterações também impactam o equilíbrio de nutrientes e a produção de hormônios, comprometendo o funcionamento do organismo como um todo!
Em geral, a lesão renal aguda (LRA) e a doença renal crônica (DRC) são os distúrbios renais mais comuns entre os cães — e estudos indicam que um em cada dez cachorros desenvolverá a DRC em algum momento da vida.
As nefropatias caninas são tão perigosas que, na medicina veterinária, o mês de março é dedicado à conscientização e prevenção dessas patologias. É o Março Amarelo Pet!
Mas, afinal, quais são as causas, os principais sinais e como tratar um cachorro com problema renal? A seguir, explicamos tudo o que você precisa saber sobre o tema.
O que são doenças renais?
As nefropatias em cães são doenças que comprometem o funcionamento dos rins dos animais, afetando sua função excretora, reguladora ou endócrina.
De acordo com a CAPES, as condições podem surgir de forma repentina ou evoluir lentamente, dependendo da causa por trás do comprometimento.
E isso acontece por diferentes motivos, incluindo fatores congênitos, inflamatórios, tóxicos, imunológicos, infecciosos, ou degenerativos que provocam danos nas estruturas dos rins.
Mas, antes de entender as doenças renais mais a fundo, é importante saber onde fica o rim do cachorro e por que esse órgão é tão importante.
Como o rim do cachorro funciona?
Os rins dos cães ficam localizados na região lombar, próximos à coluna dos pets, e possuem um formato semelhante a um feijão. (KONIG; LIEBICH, 2016)
Dentro desses órgãos, existem cerca de 415.000 estruturas chamadas néfrons, que atuam como unidades de filtragem e conduzem a urina pelas vias urinárias.
Cada néfron possui glomérulos, responsáveis por filtrar o sangue, permitindo a passagem de água e solutos enquanto retêm componentes essenciais ao organismo. (KLEIN, 2014)
Além da filtragem, os rins também regulam o equilíbrio de líquidos e eletrólitos como sódio e potássio, ajudando a manter a estabilidade interna do corpo.
Outro ponto importante é que os órgãos possuem uma função endócrina, produzindo hormônios associados à regulação da pressão arterial sistêmica. (KLEIN, 2014)
Por isso, quando qualquer alteração nos rins acontece, o impacto vai muito além da urina, afetando diversos sistemas e comprometendo a saúde geral do animal.
Quais são as principais nefropatias em cães?
Muitas condições podem comprometer a função renal dos cães, mas elas geralmente se manifestam de duas formas principais: a Doença Renal Crônica (DRC) e a Lesão Renal Aguda (LRA). Veja as características e diferenças entre elas!
Doença Renal Crônica (DRC)
A Doença Renal Crônica é uma condição progressiva e irreversível definida pela perda contínua da capacidade de filtragem renal por um período superior a três meses.
Com o avanço do quadro, ocorre a redução do número de néfrons funcionais, o que sobrecarrega as outras estruturas do órgão. (ROSS, 2016)
Como consequência, o organismo passa a acumular toxinas no sangue e pode apresentar alterações como desequilíbrios eletrolíticos, acidose metabólica e anemia.
Para padronizar o diagnóstico e orientar o tratamento da Doença Renal Crônica, a International Renal Interest Society (IRIS) classifica a condição em 4 estágios diferentes com base em exames laboratoriais e sinais clínicos:
| Estágio | Nível de creatinina | Características | Sinais clínicos |
| Estágio 1 | até 1,4 mg/dL | Creatinina normal e SDMA normal ou levemente aumentado, além de sinais iniciais como dificuldade de concentrar a urina e proteinúria (presença de proteína na urina). | Ausentes |
| Estágio 2 | 1,4 a 2,8 mg/dL | Creatinina normal ou levemente aumentada, com azotemia leve (aumento de substâncias tóxicas no sangue, como ureia), indicando a redução inicial da função renal. | Ausentes ou leves |
| Estágio 3 | 2,9 a 5,0 mg/dL | Azotemia moderada, com comprometimento mais avançado da função renal. | Presentes, em diferentes graus de gravidade |
| Estágio 4 | acima de 5,0 mg/dL | Azotemia grave, com grande acúmulo de toxinas no organismo e perda significativa da função renal, podendo evoluir para falência renal. | Intensos, com risco de crises urêmicas (quando o excesso de toxinas afeta todo o organismo) |
Segundo o jornal Estadão, o diagnóstico da Doença Renal Crônica em cães costuma acontecer apenas quando já houve perda de cerca de 45% da função renal dos animais.
Os sinais clínicos da condição também demoram para aparecer, e se tornam evidentes quando o comprometimento dos rins chega a aproximadamente 75%.
Lesão Renal Aguda (LRA)
A Lesão Renal Aguda, anteriormente conhecida como insuficiência renal canina aguda, é caracterizada pela perda súbita da função dos rins, com evolução em poucas horas ou dias.
Diferentemente da Doença Renal Crônica, o quadro é potencialmente reversível, mas a gravidade depende da extensão da lesão e da rapidez do tratamento.
A principal origem do problema é a lesão dos túbulos renais, que reduz a filtragem do sangue e leva ao acúmulo de toxinas. (CORTADELLAS et al., 2014)
Embora o quadro seja grave, o prognóstico da Lesão Renal Aguda pode ser favorável quando o tratamento é bem-sucedido.
Ainda assim, a condição às vezes deixa sequelas e aumenta o risco de desenvolvimento de doença renal crônica ao longo do tempo, segundo a Royal Canin.
O que causa problemas renais em cachorros?

Assim como acontece com os humanos, os problemas renais em cachorros podem ser desencadeados por diferentes fatores, como:
Alterações congênitas, como a displasia renal
Alterações congênitas são aquelas que já nascem com os animais. E por incrível que pareça, algumas delas podem ser responsáveis por distúrbios renais em cães.
Segundo o American Kennel Club, a displasia renal, caracterizada por uma malformação que cria rins menores e com estruturas imaturas, é um desses exemplos.
Conhecida como displasia renal juvenil, a condição é grave e pode levar os animais ao óbito, especialmente os cachorros com mais de 5 anos.
Infelizmente, os sintomas associados geralmente são sutis e demoram para aparecer. Dependendo da gravidade, os cães recebem o diagnóstico só na fase adulta.
Infecções, como a leptospirose
A leptospirose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Leptospira, que também afeta a função renal dos cachorros.
Sua transmissão ocorre pelo contato com água ou solo contaminados com urina de animais infectados. E o pior, a condição é considerada uma zoonose e pode afetar humanos.
Após entrar no organismo, as bactérias Leptospira se espalham pela corrente sanguínea (leptospiremia) e atingem diversos órgãos dos pets, incluindo os rins.
Lá, a infecção provoca inflamações e lesões, podendo causar glomerulonefrite, hemorragias e outros danos estruturais sérios. (NAPOLEÃO & CARLOS, 2022)
Entre os cães, a taxa de mortalidade da leptospirose é muito alta, variando entre 70 a 90%, de acordo com a Zoetis. Logo, toda atenção é pouca.
Uso de medicamentos que sobrecarregam os rins
Alguns medicamentos podem causar danos nos rins dos cachorros, especialmente os antibióticos da classe dos aminoglicosídeos e os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).
Isso porque, quando utilizadas em excesso e sem orientação veterinária, as substâncias presentes em sua fórmula podem ter efeito nefrotóxico, ou seja, prejudicar a função renal.
Intoxicação por alimentos ou substâncias perigosas
A ingestão de alimentos e substâncias tóxicas é outra causa comum de lesões renais em cachorros. Então, preste atenção no que o seu pet anda comendo!
As uvas e as passas são um exemplo clássico e lideram a lista de alimentos proibidos para cães, já que mesmo pequenas quantidades das frutas podem prejudicar os rins.
Mas dietas com excesso de proteína também podem desencadear sintomas de um rim sobrecarregado em animais que já possuem predisposição renal.
No ambiente doméstico, produtos como alvejantes e amônia são outra fonte de preocupação, pois apresentam um alto potencial tóxico quando ingeridos ou inalados.
Fique de olho em plantas perigosas que você pode ter em casa. Os lírios, por exemplo, costumam causar lesões renais em animais curiosos que ingerem suas estruturas.
Quais são os sintomas de um cachorro com problema renal?
Os problemas renais em cachorros são perigosos justamente porque são discretos e difíceis de diagnosticar em seus estágios iniciais.
Por isso, é importante que os responsáveis saibam identificar mesmo as menores alterações. Você deve ligar o alerta para problemas renais se o seu cão apresentar os seguintes sinais:
Emagrecimento e perda de apetite em cães
Mudanças no comportamento alimentar podem ser um dos primeiros sinais de problemas renais, ainda mais se o animal passa a demonstrar menor interesse pela comida.
Geralmente, a perda de apetite em cães está relacionada à diminuição da capacidade olfativa e gustativa, o que faz com que o ato de comer deixe de ser estimulante para o pet.
Com a redução da ingestão de alimentos, é comum que o cachorro com problema renal comece a emagrecer progressivamente, sem outras causas aparentes.
Um estudo publicado na revista Veterinary Medicine International mostrou uma relação significativa entre a perda de peso e o risco de insuficiência renal em cães.
De acordo com a pesquisa, a perda de 10 kg de peso pode aumentar a probabilidade de desenvolvimento da doença em cerca de 50%.
Poliúria e mudanças na urina
A poliúria é outro sintoma renal clássico e faz com que o cachorro passe a urinar muito, geralmente acima de 50 ml/kg/dia.
Por conta da grande produção de líquido, o animal costuma fazer xixi com mais frequência ao longo do dia e até durante a noite — quadro chamado de noctúria. Nesse caso, a urina do animal tende a ficar mais clara e diluída.
Durante as fases mais graves da doença renal, pode acontecer o oposto, com redução do volume urinário (oligúria) ou dificuldade para fazer xixi, conhecida como anúria.
Sede excessiva
Cães com problemas renais geralmente apresentam polidipsia, comportamento em que o pet bebe mais água do que o normal, chegando a 100 ml/kg/dia. (RUIZ et. al., 2002)
A sede excessiva acontece devido ao desequilíbrio hídrico no organismo, causado pela redução do hormônio antidiurético (ADH).
Letargia em cães
A letargia se manifesta por meio de sono excessivo, fadiga e falta de disposição ou energia para atividades que antes eram comuns para o cachorro.
No caso da insuficiência renal, o quadro está relacionado à diminuição da eritropoietina, hormônio responsável pela produção de glóbulos vermelhos.
Sem ele, o transporte de oxigênio pelo organismo do animal fica prejudicado, o que provoca aquele cansaço anormal.
Halitose urêmica
O mau hálito intenso é outro sinal comum de quadros renais. É a famosa halitose urêmica!
A condição está relacionada ao aumento de ureia no sangue, que altera a mucosa oral, causando um odor forte e desagradável.
Com a progressão da doença, podem surgir feridas na boca e na língua. Isso dificulta ainda mais a alimentação e agrava a perda de apetite do animal.
Náuseas e vômito em cachorro
Alguns sinais digestivos também podem aparecer conforme as doenças que envolvem os rins dos animais avançam.
O vômito em cachorro, por exemplo, ocorre especialmente após as refeições, e está ligado ao acúmulo de toxinas no sangue.
Às vezes, o desequilíbrio afeta o trato gastrointestinal do animal e provoca náuseas e diarreia, contribuindo para a piora do estado geral do pet.
Quais são os fatores de risco para as doenças renais caninas?

Embora todos os cães possam desenvolver problemas renais ao longo da vida, alguns têm mais predisposição ao quadro devido a características específicas.
Os fatores de risco para a insuficiência renal canina incluem aspectos genéticos, idade e até deficiências nutricionais, como explicaremos abaixo.
Genética de algumas raças
A predisposição genética é um dos fatores que aumentam o risco de doença renal em cachorro. Isso significa que certas raças podem desenvolver o quadro com mais frequência.
Segundo o médico-veterinário Marcio Thomazo Mota, entrevistado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), as principais são:
- Shar Pei;
- Bull Terrier;
- Cocker Spaniel Inglês;
- Cavalier King Charles Spaniel;
- West Highland White Terrier;
- Boxer.
Ainda assim, a ausência de pedigree não elimina o risco. Afinal, cães sem raça definida também podem desenvolver problemas nos rins ao longo da vida.
“É importante não descartar os animais sem raça definida – popularmente conhecidos como vira-latas”, destaca Marcio Thomazo Mota.
Envelhecimento
Com o passar do tempo, as estruturas renais sofrem um desgaste natural e perdem a eficiência na filtragem de toxinas, o que aumenta as chances de problemas.
Estudos indicam que pets com mais de 10 anos têm 81% de chances de apresentar sintomas da Doença Renal Crônica (DRC). Por isso é tão comum ouvir relatos de insuficiência renal em cachorros idosos.
Dieta inadequada
A alimentação influencia diretamente a saúde dos rins, e dietas com deficiências ou excessos podem sobrecarregar o organismo e favorecer o desenvolvimento da DRC.
Um dos nutrientes que exige muita atenção é o fósforo, já que a redução da função renal dificulta sua excreção e favorece o acúmulo no organismo.
O excesso desse mineral pode gerar complicações, como a diminuição da absorção do cálcio devido ao comprometimento da conversão da vitamina D pelo fígado.
Por que as nefropatias em cães são tão perigosas? Quais são suas complicações?
O grande risco das doenças envolvendo os rins é a forma como elas evoluem, já que a maioria dos quadros surge de uma hora para outra e sem fazer alarde.
Por conta disso, a insuficiência renal em cachorro acaba avançando sem sinais evidentes, o que dificulta a identificação precoce e atrasa o início do tratamento.
Um dos principais problemas é que os sintomas costumam aparecer tardiamente, quando os rins têm apenas cerca de 25% da sua capacidade funcional e os danos são irreversíveis.
Em quadros agudos, as alterações afetam o equilíbrio de líquidos e eletrólitos, gerando complicações como arritmias, hipertensão e vasculite. (DIEHL & SESHADRI, 2008)
A pressão alta é uma das sequelas mais comuns em cachorros com problema renal — e estudos indicam que 50% a 93% dos cães renais desenvolvem a condição. (WORONIK, 1998)
Com a progressão da doença, os danos são tão intensos que causam o colapso do sistema circulatório dos animais. É um comprometimento geral!
Como os veterinários diagnosticam um cachorro com problema renal?

O diagnóstico de um cachorro com problema renal começa, muitas vezes, com uma boa conversa entre o responsável e o veterinário, momento conhecido como anamnese.
A avaliação clínica considera o histórico do animal e os sinais apresentados, o que firma as bases para as suspeitas iniciais sobre alterações nos rins.
Ainda assim, a confirmação das nefropatias exige exames laboratoriais e de imagem, que fornecem os dados necessários para a análise de marcadores renais. Os principais são:
Urinálise e relação entre proteína/creatinina
A urinálise é um exame essencial para avaliar o funcionamento dos rins, trazendo informações sobre a densidade, o pH e a presença de células ou proteínas no xixi do pet.
De forma geral, a densidade urinária indica a capacidade dos rins de concentrar a urina, e valores baixos persistentes geralmente sugerem perda de função renal. (POLZIN, 2013)
Já a análise do sedimento urinário ajuda a identificar inflamações, infecções ou alterações estruturais, por meio da presença de células, cristais e certos elementos.
Para avaliar melhor essa alteração, utiliza-se a relação proteína/creatinina urinária (UPC), que quantifica a perda de proteína e reduz a interferência da concentração urinária.
Valores elevados estão associados a maior risco de progressão das lesões nos rins e ajudam a guiar o tratamento do animal. (CORTADELLAS et al., 2010).
Exames de sangue em cachorro
Os exames de sangue também são grandes aliados na investigação das doenças renais, avaliando a taxa de filtração dos rins e identificando alterações no organismo.
A ureia alta em cães e a creatinina elevada são os principais biomarcadores analisados, e refletem o acúmulo de substâncias no sangue do animal.
Mas apesar de ser muito utilizada na rotina clínica, a creatinina é um pouco limitada, já que só aumenta quando a perda da função renal já ultrapassou os 75%. (POLZIN, 2013)
A ureia, por sua vez, sofre influência de fatores como dieta rica em proteína ou alterações no trato gastrointestinal, então não é tão específica. (DIBARTOLA, 2012).
Para melhorar a detecção precoce dos problemas renais, os médicos-veterinários analisam o SDMA, um biomarcador mais sensível que se eleva quando há perda de 25% a 40% da função renal (GRAUER et al., 2018).
Ultrassonografia e radiografia
Os exames de imagem são indispensáveis para avaliar a estrutura e o funcionamento dos rins, ajudando a identificar alterações que não aparecem nos exames laboratoriais.
O ultrassom abdominal veterinário é o principal método utilizado pelos veterinários, pois permite analisar o tamanho, formato e textura dos rins dos animais com precisão.
Em geral, alterações como diminuição do órgão e contornos irregulares estão associadas a quadros crônicos, com presença de fibrose. (CARSTENS et al., 2019)
Por outro lado, o aumento do volume dos rins pode indicar lesões típicas do quadro de Lesão Renal Aguda em cães. (CHEW; SCHENCK; DIBARTOLA, 2016).
A ultrassonografia com Doppler complementa a avaliação ao analisar o fluxo sanguíneo nos rins, ajudando a identificar processos inflamatórios ou alterações circulatórias.
Já a radiografia atua como um exame complementar, muito útil para avaliar o tamanho dos rins e identificar alterações mais evidentes, como cálculos ou massas.
Qual é o tratamento para um cachorro com problemas renais?

O tratamento das doenças renais em cães deve ser individualizado, já que cada caso apresenta necessidades e respostas diferentes ao longo da evolução da doença.
A definição do protocolo terapêutico leva em conta o estágio da condição, o estado clínico do animal e a presença de alterações metabólicas associadas.
Uma abordagem multifacetada, que combina diferentes estratégias, é a melhor forma de garantir a qualidade de vida do animal — já que muitas nefropatias não têm cura.
Via de regra, os três pilares para o tratamento de cachorros com problema renal são:
Tratamento com fluidoterapia
Manter o animal bem hidratado é uma das primeiras medidas no manejo das doenças renais. Afinal, o que são os rins sem a água?
A fluidoterapia ajuda a reduzir toxinas no organismo e contribui para o controle de eletrólitos, equilibrando o pH do sangue e melhorando a circulação renal.
É claro que a indicação depende da avaliação clínica, pois nem todos os pacientes precisam desse suporte em todos os momentos do tratamento.
Em quadros mais graves, a administração da fluidoterapia costuma ser intravenosa, enquanto casos estáveis podem ser conduzidos com aplicação subcutânea.
Uso de medicamentos
A presença de proteína na urina e o aumento da pressão arterial estão diretamente ligados à piora dos quadros renais, pois intensificam os danos na região.
Por isso, o tratamento de nefropatias às vezes inclui fármacos que reduzem a proteinúria e ajudam a controlar a pressão, diminuindo a sobrecarga dos rins.
Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), amlodipina e até o bicarbonato podem ser indicados, mas devem ser usados com prescrição veterinária.
Nutrição veterinária
Mudanças na alimentação também fazem toda a diferença no controle das doenças renais em cães, melhorando os sintomas e aumentando a qualidade de vida dos pacientes.
As fórmulas desenvolvidas para pets com problemas nos rins geralmente trazem proteínas controladas, controle de fósforo e uma dose extra de nutrientes como o ômega 3.
O objetivo é reduzir a sobrecarga renal, trabalhar contra a inflamação, preservar a função do órgão e prevenir a desnutrição, tornando o alimento mais palatável. (FREEMAN et al., 2016; SEGEVet al., 2020)
Na Cobasi, você encontra diversas opções de rações renais para cães, com a qualidade e a segurança que o seu melhor amigo merece.
Mas lembre-se de conversar com um médico-veterinário antes de oferecer o alimento ao seu pet. Afinal, uma dieta terapêutica para cães exige acompanhamento profissional.
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Monitoramento contínuo e retorno ao veterinário
O acompanhamento regular é indispensável após o diagnóstico de doença renal, já que o quadro pode evoluir e gerar complicações sérias ao longo do tempo.
Consultas periódicas e exames de sangue e urina são importantes para avaliar a resposta do animal ao tratamento e ajustar a terapia medicamentosa e nutricional.
Por isso, já sabe: leve o seu pet ao veterinário regularmente, ao menos uma ou duas vezes ao ano, conforme a orientação do profissional. Assim, seu cachorro pode viver mais e melhor!
Março Amarelo: mês da conscientização e prevenção das doenças renais em cães e gatos

Para conscientizar os responsáveis sobre os riscos das doenças renais em cães e gatos, o mês de março virou símbolo da campanha Março Amarelo Pet.
A data foi escolhida por conta do Dia Mundial do Rim, celebrado na segunda quinta-feira do mês pela Sociedade Internacional de Nefrologia.
O objetivo da iniciativa é alertar os responsáveis sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de problemas renais — tão comuns nas clínicas veterinárias.
No Brasil, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo destaca que a atenção aos sinais e causas faz diferença na saúde e no bem-estar dos animais.
Por isso, durante esse período, o foco está em incentivar hábitos saudáveis!
Afinal, com o envelhecimento, é esperado que a função renal diminua, mas esse processo tende a ser mais lento em animais que recebem cuidados adequados desde cedo.
Como prevenir problemas renais em cães?
A melhor forma de prevenir doenças renais em cachorros é manter check-ups periódicos com o médico-veterinário, especialmente a partir dos 4 a 6 anos de idade.
Assim, qualquer alteração é identificada rapidamente, antes de se tornar irreversível!
Garantir um ambiente limpo e adequado para que o pet possa fazer suas necessidades também contribui para a saúde urinária dos animais e evita complicações associadas.
Depois, assim como acontece com os humanos, é importante estimular hábitos saudáveis para manter os cachorros fortes e bem longe de doenças.
Por isso, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Pará recomenda alguns cuidados preventivos simples, como:
- Estimular a ingestão de água, mantendo os bebedouros limpos e acessíveis.
- Incentivar atividades físicas, passeios e brincadeiras.
- Oferecer uma alimentação rica e balanceada, com rações Super Premium indicadas para a faixa etária e porte dos cães.
- Manter a carteira de vacinação do pet atualizada.
- Garantir um bom suporte renal veterinário, com consultas regulares ao profissional.
Ao adotar esses hábitos, você diminui as chances de problemas renais e ajuda o seu pet a envelhecer com mais saúde e qualidade de vida. Afinal, prevenir é sempre melhor que remediar!
Perguntas frequentes sobre problemas renais em cachorros
Qual o sintoma de problema renal no cachorro?
Os sinais mais comuns são perda de apetite, aumento da ingestão de água, emagrecimento, apatia, aumento da micção (idas ao banheiro) e episódios de vômito.
Mas atenção: as alterações renais podem surgir de forma discreta. Por isso, é importante observar mudanças no comportamento e na rotina do pet com atenção.
Um cachorro com insuficiência renal sente dor?
Um cachorro com insuficiência renal nem sempre apresenta episódios de dor, já que esse não é um dos principais sintomas da doença.
Ainda assim, se o quadro envolver cálculos renais ou a obstrução do fluxo urinário, dor abdominal e dificuldade para urinar podem aparecer.
O que fazer com cachorro com problema renal?
Se você suspeita que o seu cachorro está com um problema renal, não perca tempo e leve o animal ao médico-veterinário para avaliação imediata.
Quando os sintomas começam a aparecer é sinal de que o órgão já está bastante debilitado e exige um tratamento rápido.
O cuidado pode envolver fluidoterapia, uma dieta específica com baixo teor de fósforo, hidratação adequada ou o uso de medicamentos.
Cachorro com problema renal tem cura?
Alguns quadros, como a insuficiência renal aguda, podem ser reversíveis quando tratados precocemente — mas a Doença Renal Crônica não tem cura.
Seja como for, o diagnóstico precoce ajuda a melhorar a qualidade de vida de um pet renal e aumentar a sobrevida dos cachorros.
O que um cão renal não pode comer?
A alimentação de um cachorro com problema renal deve ser cuidadosamente controlada para evitar sobrecargas nos rins.
Segundo o médico-veterinário Edgard Gomes, do canal ANPDog: Alimentação Natural para Dogs, alguns alimentos normalmente liberados para cães devem ser evitados por pacientes renais, como abacate, banana, coco, laranja, maracujá, melão e tangerina.
Ainda, a orientação profissional é indispensável para definir a dieta mais adequada para cada caso. Então, consulte o seu veterinário!
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Cuidar de um cachorro com problema renal crônico vai exigir atenção, informação e acompanhamento profissional para toda a vida. Mas isso não é uma sentença de morte!
Com os cuidados certos, paciência e muito amor, é possível reduzir o impacto da doença e garantir mais conforto para o pet no dia a dia. E nós queremos ajudar!
Aqui, no Blog da Cobasi, você encontra conteúdos completos sobre saúde, alimentação e bem-estar para cães renais. Continue explorando nossos artigos e descubra novas formas de cuidar do seu melhor amigo!
Referências
- Universidade Federal de Goiás (UFG) | Fisiologia renal e insuficiência renal aguda em pequenos animais: causas e consequências
- Gold Lab Vet | Nefropatia em cães: 5 atitudes que podem salvar a vida do seu pet
- CAPES | Nefrologia veterinária aplicada em cães e gatos
- Royal Canin | Março Amarelo: conscientização sobre doenças renais em pets
- CRMV-SP | Como prevenir e identificar doenças renais nos pets
- CRMV-PA | Março Amarelo
- Blog Jorge P Conti | Cachorro com problema no rim: o que fazer?
- G1 | Março Amarelo: veterinária alerta para principais causas e sintomas de doenças renais em cães e gatos
- Estadão | Será que seu pet apresenta algum sintoma de problema renal?
- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) | Envelhecimento faz aumentar o número de casos de Doença Renal Crônica em pets
- Universidade Federal de Uberlândia (UFU) | Insuficiência renal crônica em cães: uma abordagem em medicina veterinária integrativa e complementar relato de caso
- PetMD | 5 sinais de doença renal em cães
- CRMV-SP | Insuficiência renal em animais domésticos
- Royal Canin | Doença renal crônica em cães: diagnóstico e tratamento
- Anhanguera | Nefropatias em cães e gatos: etiologia e diagnóstico
- Vets & Clinics | Insuficiência renal em cães: sintomas
- American Kennel Club (AKC) | Displasia renal em cães
- ESFA | Doença renal em cães: aspectos clínicos
- Biosyn | Insuficiência renal em cachorros e gatos: sintomas, diagnóstico e tratamento
- Zoetis | Leptospirose: um problema mais próximo do que você imagina
- Royal Canin | Lesão renal aguda em cães: qual o papel da nutrição?
- PubMed Central | Estudo caso-controle dos fatores de risco associados à doença renal crônica em felinos e caninos
- Canal ANPDog: Alimentação Natural para Dogs | Cachorro doente renal: quais Frutas podem e não podem ser dadas?
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